Ativistas recorrem à CIDH por causa de Belo Monte

Matéria publicada no portal El Nuevo Herald, em espanhol, sobre a luta contra Belo Monte na Comissão Interamericana de Direito Humanos (CIDH), traduzida em português para o Blog.

Por LUIS ALONSO LUGO
Associated Press

WASHINGTON - Organizações comunitárias denunciaram a ausência do Estado brasileiro a uma reunião de mediação convocada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre um projeto controverso de hidrelétrica na Amazônia.

Durante uma coletiva de imprensa às portas da sede da CIDH, no momento em que devia ser realizada a reunião de mediação, a advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Roberta Amanajás, descreveu a atitude do governo brasileiro quanto à hidrelétrica de Belo Monte como “arrogante e antidemocrática”.

“Esse comportamento é uma lembrança da época da ditadura militar, e como o Brasil tratava naquele momento a CIDH. Lamentamos que (o Estado) não compareça, não ouça os argumentos ou diálogue com as comunidades afetadas”, disse Amanajás.



A Associated Press perguntou à Embaixada do Brasil em Washington e ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, por que não houve participação na reunião de mediação, mas não obteve resposta.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, defendeu ontem a decisão de não participar porque “o Brasil é um país soberano. Não estamos sujeitos a intervenção por quem quer que seja”.

A CIDH tinha convocado uma reunião na quarta-feira para discutir a usina de Belo Monte, junto com organizações da sociedade civil que estão lutando para impedir a sua construção, que já está em andamento.

A Comissão tinha solicitado em abril a suspenção da construção, para analisar as reivindicações das comunidades locais que alertam que Belo Monte terá um impacto destrutivo para eles.

O assessor jurídico da Associação Interamericana de Defesa Ambiental, Jacob Kopas, disse que, por não ter sido realizada a reunião de mediação, representantes de organizações foram recebidos por uma delegação da CIDH, para a entrega documentos referentes ao projeto.

“Esperamos que a CIDH continue a enfatizar ao governo brasileiro que proteja os direitos das comunidades indígenas afetadas por este projeto”, disse ele.

Belo Monte, que está sendo construída no Rio Xingu, na Amazônia, será a terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás das plantas de Três Gargantas, na China, e Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai.

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