Nota de repúdio e alerta

O crime que vitimou os seis meninos de Icoaraci é revoltante e brutal, mas, infelizmente, não chega a surpreender aqueles que já atuam na defesa de crianças e adolescentes e no enfrentamento ao que chamamos de “letalidade de adolescentes e jovens”, um problema que, longe de ser um caso isolado, é uma realidade cotidiana de dezenas de adolescentes no Brasil e no Pará, assassinados de forma banal e absolutamente inexplicável, como mostram os dados.

Muitas famílias paraenses já passaram por essa dor, ao terem seus filhos, netos e sobrinhos mortos inexplicavelmente. Crimes, em geral, com o mesmo perfil de extermínio, vingança, ódio e silêncio. Muitos sequer ganham as páginas de jornal, outros são encerrados sem a identificação de culpados. E, mesmo diante de tal mortandade, ainda é comum se ouvir que os adolescentes são os maiores responsáveis pela violência hoje em dia.

Esperamos uma resposta célere e eficiente da Polícia e da Justiça para identificar e responsabilizar os autores das mortes dos adolescentes de Icoaraci. Faz-se necessária uma ação conjunta dos órgãos de segurança e do Sistema de Justiça, com reforço da inteligência, para a identificação de eventuais grupos organizados e que agem com características de extermínio. Mas isso ainda é pouco!

Esperamos que, com mais esse caso, uma parte da sociedade e os meios de comunicação se conscientizem que há uma espécie de ordem geral para extermínio dos adolescentes brasileiros. Uma espécie de mensagem de que a juventude e a adolescência são perigosas para a sociedade e que alguns podem morrer. Evitando esse modo de pensar, é importante que cada um sinta-se responsável pelo enfrentamento dessa violência, que tem em Icoaraci seu mais atual símbolo.

Assim, nesse momento, entidades que atuam na defesa dos direitos humanos se solidarizam com o sofrimento das famílias, se unem a setores da sociedade que pedem justiça exemplar contra esse crime bárbaro e chamam a todos a defender incondicionalmente a vida, sobretudo daqueles que são mais violentados na atualidade: adolescentes e jovens.

Assinam a nota:

Movimento República de Emaús / Cedeca-Emaús
Paróquia Luterana
Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Belém
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA
Comissão de Justiça e Paz da CNBB

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