SDDH inicia recuperação de seu acervo


 Imagens históricas estão arquivadas, como a da prisão de Humberto Cunha


 Protestos de estudantes também são registros que estão no acervo da SDDH
Luiza Canuto é uma das vítimas de violência, como lideranças políticas e defensores dos direitos humanos, apoiada pela SDDH

A SDDH completa, no próximo mês de agosto, 35 anos de uma bela história de lutas e embates contra as diversas formas de violência no Pará, tornando-se referência e inspiração para ativistas de outros estados brasileiros. Essa data emblemática já é motivo suficiente para que a entidade, que acompanhou muitos desafios de movimentos sociais e defensores dos direitos humanos nos municípios paraenses, recupere e dê acesso a seu rico acervo de imagens e edições do jornal Resistência que estão guardados em seu acervo, em Belém.

A concretização deste projeto começou a se dar com a retomada do jornal, que estava com edição irregular há alguns anos. Mas se deu especialmente com sua volta às ruas, à volta de sua articulação com militantes de diversas correntes políticas, como o bloco carnavalesco e o coletivo Batuca da Canalha, que se dedica à prática cultural e à ocupação pacífica de espaços públicos da capital paraense. Foi numa dessas atividades, no último dia 13 de janeiro, na calçada do Bar do Parque, na praça da República, que a SDDH lançou a edição de janeiro do jornal (agora trimestral) e que foi dado o primeiro passo para a elaboração do projeto de salvaguarda que está em curso na entidade.
Historiador e atual pró-reitor de Extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA), Fernando Arthur de Freitas Neves recebeu o pedido de apoio da SDDH com muita sensibilidade, garantindo uma primeira reunião de trabalho na instituição. No final da manhã de hoje, além do professor, estiveram na sede da SDDH, para a segunda reunião de trabalho, a conservadora e restauradora do Arquivo Público do Pará, Ethel Valentina Ferreira Soares, e o historiador e coordenador do setor de Gestão de Documentos do órgão, Leonardo Tori. A equipe acordou que, paralelamente à submissão a editais de financiamento público, capaz de resgatar e democratizar o acervo da SDDH, haverá uma série de ações de obtenção e sistematização de informações relativas ao acervo e de cuidado com o material.

Um grupo de cinco voluntários da entidade fará um curso de capacitação para manuseio do acervo, que será ministrado no próprio Arquivo Público. A expectativa é que, em março, a SDDH comece a convidar membros, ex-membros e militantes do Pará a fim de expor algumas das imagens de seu acervo e dê início ao registro de informações históricas. Além da UFPA e do Arquivo Público, também estará em parceria com a SDDH a Associação de Amigos do Arquivo Público do Pará. Para que a entidade de defesa dos direitos humanos leve a público parte de seu acervo, em agosto, ainda terá de captar recursos junto a patrocinadores.

Postagens mais visitadas deste blog

Imagens e histórias do Ver-o-Peso - Parte 1

Pela abertura dos arquivos da ditadura brasileira!

SDDH lança Campanha de Autossustentabilidade