Governo é novamente cobrado pela CIDH a explicar violações de direitos em Belo Monte
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão
da Organização dos Estados Americanos (OEA), notificou o governo brasileiro
nesta quarta, 11, para que preste esclarecimentos sobre a situação das
comunidades tradicionais da bacia do Rio Xingu, afetadas pela construção da
Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Esta é a segunda notificação do governo, já
cobrado a se explicar em abril de 2011.
Entre as informações solicitadas pela CIDH, estão
esclarecimentos sobre alterações na qualidade da água do rio Xingu, que estaria
provocando problemas à saúde de comunidades tradicionais e indígenas, e sobre o
processo de remanejamento de agricultores e outras populações tradicionais, que
estariam sofrendo violações de seus direitos. Além disso, a CIDH requer também
que o governo informe o andamento da implantação das medidas mitigatórias dos
impactos da construção da usina.
A notificação do governo foi uma resposta a denúncias
encaminhadas à CIDH pelas organizações Sociedade Paraense de Defesa dos
Direitos Humanos (SDDH), Justiça Global, Movimento Xingu Vivo para Sempre
(MXVPS) e a Asociación Interamericana para la Defensa del Ambiente (AIDA), com
foco principal nas terras indígenas Paquiçamba e Arara, diretamente afetadas
pelas obras de Belo Monte.
Em janeiro, com o primeiro barramento do Xingu, os indígenas
começaram a ter problemas com a qualidade da água. O Ministério Público Federal
já encaminhou uma analise independente da qualidade da água ao Instituto
Evandro Chagas , mas os resultados ainda não foram publicados. De acordo com o
MPF, este monitoramento deve ser continuo devido ao perigo de contaminação do
rio pela usina.
A falta de um plano de reassentamento para comunidades
afetadas pela construção de Belo Monte é outro problema denunciado à CIDH. Além
da falta de um plano, há comunitários que aceitaram valores de indenização
abaixo do mercado por suas terras, porque não possuiam o título formal, e
existia o receio de serem expulsos sem direito a qualquer valor.
Foi o caso dos moradores da comunidade Santo Antônio, onde
existiam 252 propriedades de pequenos agricultores, mas apenas 26 deles
possuiam o título formal das terras. Em um dos casos, o agricultor recebeu R$
6.957,23 de indenização por 362,51 metros quadrados de terra, avaliados no
mercado em R$ 21.750.
A partir da notificação, o estado brasileiro tem o prazo de
20 dias para apresentar à organização internacional os esclarecimentos
solicitados. “A ação da CIDH visa, principalmente, fazer com que o Estado
brasileiro cumpra com os tratados internacionais de defesa dos direitos
humanos, e, no caso de Belo Monte, há inúmeros indícios de que esses direitos
estão sofrendo violações”, diz a advogada da SDDH, Roberta Amanajás.
