Seminário põe em debate a produção de dendê para biodiesel
O avanço de empresas sobre a agricultura familiar para a
produção de dendê foi tema de um debate realizado ontem, envolvendo agricultores,
sindicatos de trabalhadores rurais, movimentos do campo, pesquisadores,
Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos
Humanos (SDDH), realizadora do seminário. O evento aconteceu no auditório da
SDDH e contou com a participação de pessoas de vários municípios do nordeste
paraense.
A produção de dendê no nordeste do Pará tem sido estimulada
nos últimos anos pelos governos e levada a diante por grandes empresas para a
produção de biodiesel. No entanto, essa nova fronteira agrícola está tirando o
espaço da agricultura familiar em favor de uma monocultura, o que acarreta
problemas de ordem social e ambiental, como o risco à segurança alimentar, a
redução da renda das famílias de agricultores, a reconcentração fundiária, o
desgaste do solo e a contaminação de águas.
Para enfrentar o problema, as organizações, sindicatos e
movimentos sociais organizam uma frente de luta, que avaliará a fundo os
problemas e realizará ações em defesa dos trabalhadores e da agricultura
familiar. Na avaliação dos trabalhadores rurais e movimentos presentes ao
seminário, conter o avanço desta fronteira será uma das prioridades do
campesinato para os próximos anos.