Ditadura Argentina: sai hoje sentença sobre sequestro de bebês
Ex ditadores Jorge Rafael Videla e Reynaldo Bignone
A um ano e meio desde seu início, será declarado, na tarde de hoje, o juizo oral dos acusados pelo Plano Sistemático de Roubo de Bebês durante a ditatura cívico-militar na Argentina. Desde as 17h, o Tribunal Oral Federal 6 lerá a sentença contra 11 processados no caso, entre eles os ex ditadores Jorge Rafael Videla e Reynaldo Bignone, por 35 casos de bebês sequestrados de suas mães, desaparecidas por ocasião do regime.
A sentença que se escutará hoje será um marco das causas que investigam o terrorismo de Estado, não só pela gravidade dos crimes cometidos pelos idealizadores da apropriação dos bebês, mas também pela extensão da investigação, que se estendeu por mais de 15 anos.
O processo – a causa conhecida como “Plan Sistemático de Robo de Bebés” deslanchou no dia 30 de dezembro de 1996, com uma apresentação de Estela de Carlotto e María Isabel “Chicha” Mariani, que aproveitaram uma lacuna jurídica deixadas pelas leis de “Obediencia Debida y Punto Final” para denunciar a apropriação dos filhos de mulheres desaparecidas durante o regime militar. A causa chegou ao juízo oral em fevereiro de 2011 e, durante 16 meses, com mais de 200 testemunhos, foi possível reconstituir o “Plano”.
“Este processo se funda em um emblemático testemunho do trabalho destas mulheres [Avós da Praça de Maio], que são um exemplo universal da luta por Direitos Humanos”, leram os advogados da entidade, na ocasião. Acrescentam que “não há prova mais contundente de que houve um processo sistemático de apropriação dos bebês durante o terrorismo de Estado do que os relatos daqueles bebês, hoje adultos, nascidos nos centros clandestinos de detenção e criados na mentira. É público e notório que 105 desses bebês já recuperaram sua identidade e que existem outros tantos que continuamos em busca. Daqueles netos restituídos a suas famílias, 20 fizeram declaração neste juízo”.
Os acusados podem ser condenados de 14 a 50 anos de prisão. O veredito será transmitido, ao vivo, em telão exposto na frente do tribunal.
Edição e tradução: Erika Morhy
Fonte de texto e de foto: Arquivo Nacional da Memória
