SDDH Ano 35: A invasão da gráfica Suyá II
Segue a continuação do documento intitulado "Invasão e incêndio da gráica ´Suyá', da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos", de 15 outubro de 1984, assinado pela então presidente da entidade, Izabel Cunha:
Enquanto isso, na gráfica Suyá a revista se estendia por todo o parque gráfico. Os policiais remexeram tudo, desde as máquinas, laboratório fotográfico, laboratório revelador e sala de desenho. Subiram e remexeram em um velho sótão onde, estranhamente, um incêndio irrompera 30 horas depois, destruindo parte do parque gráfico e das casas vizinhas. Quando a polícia descobriu que o vereador Humberto Cunha havia saído, terminaram abruptamente a operação. O delegado José Maria deu voz de prisão ao gerente Daniel Veiga e à presidente da entidade Izabel Cunha. Esta se negou a acatar tal ordem, dizendo que não havia nenhum flagrante e nem tão pouco mandado de prisão, além de nenhum policial ter-se identificado. Sentou-se em uma das mesas no escritório da SPDDH e de lá foi arrancada por um policial baixo, cabelos encarpinhados, bigodinho e cor morena clara. Foi arrastada pelos ombros, no que a presidente protestou, sofreu empurrões e foi jogada dentro de um carro branco, chapa particular, enquanto Daniel Veiga era levado em outro carro, também de capa particular. No DOPS, para onde foram levados, Daniel prestou depoimento como gerente e Izabel negou-se a se identificar e exigiu a presença de seu advogado Dr. José Carlos Castro. Quando este chegou, a presidente foi liberada sem nenhuma explicação, nem por que foi presa, nem por que queriam qualifica-la. O Dr. José Carlos Castro ainda deu assistência ao gerente Daniel Veiga, até o mesmo ser liberado.
Ainda não foi possível fazer um balanço de tudo o que os policiais levaram. Contudo, sumiu uma pasta contendo diversos documentos da entidade, inclusive os documentos de propriedade das máquinas. E mais, sumiu toda a listagem de assinantes do jornal “Resistência”.