O MST continua resistindo a qualquer tentativa de expulsão ilegal por parte dos latifundiários em Curionópolis
Apesar
da sentença publicada no final da semana, do Juiz da Vara Agrária de Marabá,
Jonas da Conceição Silva, indeferir o pedido de Reintegração de Posse, da área
denominada de Fazendinha, cuja propriedade era requerida pela pecuarista Kênia
de Freitas Barreto, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirma
que continuará resistindo.
A área encontra-se parcialmente ocupada, há dois anos, por 280 famílias sem
terra ligadas ao MST. O acampamento “Frei Henri” (em homenagem ao Padre e
Advogado dominicano que trabalha na CPT do sul do Pará), está localizado no município
de Curionópolis, próximo da cidade de Parauapebas.
Segundo
os trabalhadores, o juiz extinguiu o processo com julgamento do mérito da causa
e sentenciou como improcedente o pedido da autora. Para o juiz, a autora estava ocupando ilegalmente
terra pública e não preenchia os requisitos para regularizar o imóvel em seu
nome.
Conforme a nota divulgada pelo MST e
Comissão Pastoral da Terra, Há 20 dias que os fazendeiros de Parauapebas e
Curionópolis, cercam o acampamento e ameaçam expulsar as famílias de forma
violenta. Os fazendeiros da região, usando tratores, cavaram trincheiras a uma
distância de 500 metros do acampamento de onde lançam holofotes nos barracos
das famílias e soltam fortes bombas durante todas as noites.
Os trabalhadores rurais também denunciam que muitos
tiros de armas de fogo também são disparados e que a ofensiva dos fazendeiros
tem como objetivo não permitir que as famílias possam dormir e, aterrorizadas,
abandonem o acampamento, com isso, facilitando a ação do grupo para expulsar à
força os que ainda resistem.
A violência dos fazendeiros e
pistoleiros contra as famílias tem sido denunciada a todos os órgãos
competentes, mas, não há informações se a polícia sequer instaurou inquérito
para apurar os fatos.
Mesmo enfrentando uma situação de
terror permanente, as famílias têm permanecido no local. A preocupação é que os
fazendeiros decidam invadir o acampamento o que poderia resultar em uma
tragédia com muitos mortos e feridos.
De acordo com a nota, a decisão
do juiz traz segurança jurídica para as famílias. No entanto, para o movimento,
caberá ao INCRA, ingressar imediatamente, com uma ação de reintegração de posse
perante a Justiça Federal e retirar os fazendeiros que ocupam ilegalmente a
área e destiná-la para o assentamento das famílias acampadas.
O MST declara que continuará
resistindo a qualquer tentativa de expulsão ilegal por parte dos
latifundiários.

