POLICIAIS MILITARES SERÃO LEVADOS A JURI POPULAR NA CIDADE DE MARABÁ PELO ASSASSINATO DE DOIS IRMÃOS NO ANO DE 2004

 

Acontecerá na terça feira, dia 13 de novembro de 2012, às 8h30, na sala do tribunal do Júri do Fórum da Comarca de Marabá o julgamento dos policiais militares JOSIVALDO ANDRADE DA SILVA e JONAS CARDOSO FARIAS, acusados de assassinar com tiros os jovens irmãos ELAILSON DE FRANÇA EVANGELISTA, 19 anos e ELIELTON DE FRANÇA EVANGELISTA, 17 anos, em 28 de maio de 2004, na cidade de Marabá.

Ressalte-se que é a 8ª vez em que o julgamento é marcado. Desde 2008 já foram marcadas sete datas diferentes e nenhuma se realizou, por diversos motivos. Os acusados ficaram presos preventivamente por quase 05 anos e foram liberados através de concessão de Habeas Corpus pelo TJE-Pa entendendo que os diversos adiamentos do júri estavam causando excesso de prazo para a prisão cautelar, em que pese a manifestação do Ministério Público para que os mesmos continuassem presos, em virtude de ameças as testemunhas.

Atualmente, Josivaldo e Jonas continuam na PM e trabalhando na cidade de Marabá, já os procedimentos administrativos contra os mesmos encontram-se “sobrestados”, ou seja, suspenso  aguardando o desfecho do caso na justiça criminal.

A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), através de seus advogados é representante dos pais das vitimas na Assistência da Acusação e fará a sustentação oral junto com o Ministério Público.

A SDDH espera que este júri seja realizado, já que avaliamos que existe possibilidade de o mesmo ser adiado mais uma vez caso os advogados do acusado Jonas renunciem ao mandato. Se tal possibilidade ocorrer denunciaremos o caso aos órgãos nacionais como CNJ e aos órgãos internacionais como OEA e ONU, até porque os acusados são policiais militares acusados de gravíssimos crimes e que, por demora processual na realização do júri, encontram-se em liberdade e o que é pior, trabalhando normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Relatam os autos que os dois acusados respondem por outros crimes, até fora do estado do Pará, de igual gravidade, com assassinatos de pessoas e nenhum destes processos os júris foram realizados ainda.

Já os familiares, após tantos anos de sofrimento e tantos adiamentos de júri esperam que os acusados sejam considerados culpados e que saiam de lá devidamente presos, por serem uma ameaça a própria sociedade.

A expectativa é que, além da SDDH, outras entidades ligadas à defesa dos direitos humanos se façam presentes à sessão do júri.

Os fatos – Dia 28/05/2004 na cidade de Marabá-PA por volta das 23:00 em frente ao Bar Big Brother na folha 07, Nova Marabá, Município de Marabá, os policiais militares Jonas Cardoso Farias e Josivaldo Andrade da Silva atiraram contra os irmãos Elailson e Elielton, filhos de uma família de baixa renda naquela cidade, jovens negros, sendo que o primeiro fazia parte das fileiras do Exército em Marabá, fato esse que ocasionou inclusive a abertura de um procedimento para apurar a morte do mesmo.

 Relata-se no processo que as vítimas estavam acompanhadas de colegas retornando da aula, quando pararam próximo a um complexo de bares localizado na Folha 07 na Nova Marabá, e ali tomaram refrigerante. Momento que foram surpreendidos por alguém que jogou uma lata (segundo o então adolescente Nélio, se tratava de uma lata de refrigerante) e o grupo dispersou fugindo. Nesse momento de correria foi quando houve os disparos de arma de fogo contra as duas vítimas. Segundo os autos, o policial Jonas Cardoso atirou contra Elielton, o irmão mais novo, e o policial Josivaldo atirou contra Elaílson, que era soldado do exército. Segundo os relatos, o policial Josivaldo, após atingir Elaílson foi em sua direção e desfechou-lhe um chute no rosto. Apesar de muitas testemunhas terem relatado que viram o fato e os autores do disparo (os policiais Josivaldo e Jonas), os policiais alegam que não praticaram o duplo homicídio. Várias testemunhas reconhecem que os mesmos estiveram no Bar e que foram eles que atiraram contra as vítimas.

Ameaças as testemunhas: Há relatos nos autos de que algumas testemunhas que presenciaram os crimes estão com medo de depor em razão de ameaças, como o próprio Ministério Público admitiu e foi o motivo determinante para ser contra a liberdade provisória dos acusados.

A expectativa é que o julgamento entre pela madrugada.

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