Inesquecível Henfil: um relato de Pedro Pomar
Importante membro da SDDH, em Belém, durante densos anos de chumbo, e ativista dos direitos humanos no país até hoje, Pedro Pomar, à época Marcos Soares, para garantir sua segurança frente à ditadura militar, faz um bonito relato do contato que teve com Henfil, cartunista e jornalista brasileiro de afiado talento em prol da democracia. Em memória aos 25 anos da morte de Henrique de Sousa Filho, a SDDH publica hoje este relato produzido à nosso convite e oferecido com grande com generosidade por Pomar.
Tive a honra e a satisfação de entrevistar Henfil para o Resistência, nos idos de 1983 ou 1984. Eu havia voltado de Belém e estava morando em São Paulo novamente. Não me lembro como surgiu a pauta, mas o fato é que fomos entrevistá-lo, o colega João Vital e eu, se não me engano em um apartamento na rua da Consolação, onde Henfil morava com a esposa.
Creio que já estava doente na época. Nos recebeu muito bem e a entrevista foi ótima, embora eu não tenha gostado do resultado final (impresso), pois achei que poderia ter sido melhor editada. Algumas das coisas que disse me marcaram bastante. Por exemplo, lembro-me de um comentário sobre Caetano Veloso que me pareceu surpreendente na época: Henfil destacou o fato de que Caetano lia bastante, era um sujeito informado, antenado, ao contrário do que uma parte dos seus fãs parecia acreditar (e praticar). Outra coisa foi que ele classificou um outro cartunista famoso como “de direita”, assim na lata, em função das posições políticas que o tipo de humor desse seu colega revelava.
Henfil era uma personalidade brilhante. Desenhou, escreveu, fez jornalismo e televisão (programa “TV Mulher”, na Globo, dirigido por Rose Nogueira). Seus personagens de HQ são geniais e inesquecíveis, especialmente a Graúna e o frade Baixim, um espírito de porco levado da breca... O que mais me impressionou nele, sem dúvida, além do traço despojado e singular, foi seu engajamento político. A meu ver, Henfil nunca procurou disfarçar o fato de ser um homem de esquerda. Foi um dos cartunistas mais engajados do seu tempo, talvez o mais avançado do ponto de vista político.
Pedro Estevam da Rocha Pomar (Marcos Soares)
Tive a honra e a satisfação de entrevistar Henfil para o Resistência, nos idos de 1983 ou 1984. Eu havia voltado de Belém e estava morando em São Paulo novamente. Não me lembro como surgiu a pauta, mas o fato é que fomos entrevistá-lo, o colega João Vital e eu, se não me engano em um apartamento na rua da Consolação, onde Henfil morava com a esposa.
Creio que já estava doente na época. Nos recebeu muito bem e a entrevista foi ótima, embora eu não tenha gostado do resultado final (impresso), pois achei que poderia ter sido melhor editada. Algumas das coisas que disse me marcaram bastante. Por exemplo, lembro-me de um comentário sobre Caetano Veloso que me pareceu surpreendente na época: Henfil destacou o fato de que Caetano lia bastante, era um sujeito informado, antenado, ao contrário do que uma parte dos seus fãs parecia acreditar (e praticar). Outra coisa foi que ele classificou um outro cartunista famoso como “de direita”, assim na lata, em função das posições políticas que o tipo de humor desse seu colega revelava.
Henfil era uma personalidade brilhante. Desenhou, escreveu, fez jornalismo e televisão (programa “TV Mulher”, na Globo, dirigido por Rose Nogueira). Seus personagens de HQ são geniais e inesquecíveis, especialmente a Graúna e o frade Baixim, um espírito de porco levado da breca... O que mais me impressionou nele, sem dúvida, além do traço despojado e singular, foi seu engajamento político. A meu ver, Henfil nunca procurou disfarçar o fato de ser um homem de esquerda. Foi um dos cartunistas mais engajados do seu tempo, talvez o mais avançado do ponto de vista político.
Pedro Estevam da Rocha Pomar (Marcos Soares)