Parque da Memória argentino: um repúdio à ditadura brasileira


Claudia Fontes (Argentina, 1964) - Reconstrução do retrato de Pablo Míguez
1999-2010 - Reflexos de agua do Rio da Prata sobre aço inoxidável polido espelho
A peça foi concebida especificamente para o lugar onde está localizada, ali onde foram despejadas muitas das vítimas do terrorismo de Estado. A escultura articula os conceitos de aparição/desaparição e se baseia no retrato de um adolescente que foi desaparecido quando tinha apenas 14 anos. A obra foi inspirada no caso de Pablo Míguez, que, se estivesse vivo, tería agora a mesma idade da artista. (Foto e livre tradução: Erika Morhy)



A área Nomes do Monumento às Vítimas do Terrorismo de Estado se encarrega da elaboração e atualização da lista de nomes de detidos, desaparecidos e assassinados, sistematizada no monumento. (Foto e livre tradução: Erika Morhy)



Nicolás Guagnini (Argentina, 1966) - 30.000
1999-2009 - Colunas de aço, pintura epoxi, 4 x 0,12m c/u
A peça se conforma em 25 prismas retos, que funcionam como suporte para o retrato do pai do artista, desaparecido em 1977. (Foto e livre tradução: Erika Morhy)


“(...)Quando a força pública nas mãos do Estado comete crimes contra os cidadãos, sem controle algum e mediante um sistema organizado, falamos de terrorismo de Estado. Na Argentina, durante os anos 1970 e início dos anos 80, milhares de pessoas foram detidas ilegalmente, torturadas, privadas do direito de se defender na Justiça e, finalmente, foram desaparecidas e assassinadas. Ainda hoje se desconhece o paradeiro da grande maioria deles. O terrorismo de Estado foi, ainda, partícipe de um dos maiores crimes, sem precedentes na história argentina: a apropriação de bebês e crianças seqüestradas. Muitos continuam desaparecidos, muitos outros, seguem roubados de sua verdadeira identidade, de suas famílias biológicas e de sua própria história.

Como parte do processo de elaboração do trauma social causado pelo terrorismo de Estado, o Parque da Memória – Monumento às Vítimas do Terrorismo de Estado está localizado junto do Rio da Prata – testemunho do destino de muitas vítimas – e é erigido como um lugar de memória, que conjuga a contundência de um monumento que inclui nomes de detidos e desaparecidos e de assassinados, com a capacidade crítica e receptiva da arte contemporânea.

O Parque da Memória não busca curar feridas nem suplantar a verdade ou a justiça; aspira se consolidar como um espaço onde seja possível recuperar parte da dimensão existencial dessas ausências, resgatar o melhor daqueles ideais pelos que se lutava e alcançar um espaço no qual a educação, a arte e a cultura sejam ferramentas estimuladoras que mantenham a memória viva.

A Argentina é, hoje, um exemplo na busca da Memória, Verdade e Justiça, graças à luta incansável dos organismos de direitos humanos. É, em grande parte, devido à sua força, seu valor e seu trabalho persistentes que o Parque da Memória se transformou em ferramenta de participação ativa na reconstrução do emaranhado social e cultural desgarrado pela violência exercida durante a última ditadura militar”. (Parque da Memória - livre tradução de Erika Morhy)

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