Familiares de Welbert pedem apoio da OAB-PA
Familiares de Welbert pedem apoio à OAB nas investigações sobre desaparecimento do corpo do trabalhador rural assassinado no Pará
Via Blog do Puty
Hoje, pela manhã, familiares de Welbert [Cabral Costa], trabalhador desaparecido no complexo da fazenda Lago do Triunfo no complexo Santa Bárbara, e São Félix do Xingu, participaram de reunião na OAB, para pedir apoio às investigações sobre o desaparecimento do trabalhador desaparecido há quase um mês. Participaram da reunião, o presidente da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Pará], Jarbas Vasconcelos, a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados-Pa, Luana Tomáz, a representante da SDDH, Anna Cláudia [Lins], o representante, advogado do mandato do deputado Puty, Juliann Lennon Aleixo, e a Ouvidora do Sistema de Segurança Pública do Estado, Eliana Martins.
Providências
Na reunião a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Luana Tomáz, relatou aos familiares todas as providências já tomadas para colaborar com a investigação de mais um episódio que envolve trabalhadores e fazendeiros no Pará. "De imediato enviamos um ofício ao Secretário de Segurança do Estado, pedindo agilidade nas providências cabíveis às polícias civil e militar do estado, e solicitando ao Ministério Público do Estado que encaminhe pedido de inclusão de familiares de Welbert no sistema de proteção às vítimas e testemunhas. Assim como assinamos duas notas públicas com outras entidades, como CPT [Comissão Pastoral da Terra] e SDDH, alertando para algumas lacunas nessa investigação, para que esse não seja mais um acontecimento violento envolvendo trabalhador e proprietários de terra sem a devida atenção do estado", disse a presidente da Comissão de Direitos Humanos OAB.
A Dra. Luana Tomáz informou ainda que deve encaminhar ao Conselho de Segurança a mesma solicitação de apreciação atenciosa para mais um caso, "que deixa amigos e toda sociedade paraense estarrecida e solidária aos familiares de Welbert", 26 anos, desaparecido há quase um mês.
Protestos
Familiares do trabalhador, motorista desparecido na fazenda Santa Bárbara, relataram alguns fatos, que comprovam lacunas na investigação policial, enquanto um grupo de 50 pessoas estavam na praça em frente à ordem, para pedir apoio às investigações.
A irmã de Welbert, que participou da reunião desabafou: "O delegado da região, Lenilton Mendes dos Santos, não tem suporte para continuar diligências já autorizadas pela justiça, porque o complexo da fazenda reúne 17 retiros (postos de abrigo) e apenas um, próximo à sede, foi vistoriado e essa diligência foi feita sem a presença de familiares. E mesmo que nós tenhamos apresentado um mapa de GPS com possíveis locais para vistoria, isso foi completamente ignorado", disse uma irmã de Welbert, Dayane da Costa.
Familiares do rapaz desaparecido suspeitam que outros funcionários da fazenda estejam escondendo pistas sobre os mandantes e o possível local que o corpo de Welbert possa ser encontrado, como afirma o irmão, Wagnar Costa: "Outros trabalhadores, testemunhas oculares, dizem que viram os dois suspeitos de executar meu irmão na fazenda no mesmo período, entre os dias 23 e 24 de julho, mas o gerente da fazenda, Zé Geraldo, diz não saber do paradeiro dos funcionários, Divo e Maciel. Temos sérias suspeitas sobre o local onde o corpo do meu irmão pode estar e que um desses funcionários envolvidos permanece na fazenda, mas como a polícia não teve condição de ampliar a diligência, então o mandante deve estar acobertando alguém".
Familiares relatam que ainda há várias contradições nos depoimentos do gerente da fazenda, Zé Geraldo, que não foram apuradas pela polícia local, como o telefonema que o gerente teria dado, e que Welbert recebeu na presença da tia, Rosineide, e depois o gerente afirma em depoimento à polícia que não ligou para o rapaz.
Audiência
O presidente da OAB-Pa, Jarbas Vasconcelos, solicitou ao secretário de Segurança do Estado uma audiência, hoje, com familiares, para solicitar duas coisas fundamentalmente: novas buscas por suspeitos e pelo corpo na fazenda do complexo Santa Bárbara, desta vez feitas na presença de familiares e outras entidades, e pensa até em solicitar reforços federais: "Casos como esse e de companheiros nossos advogados, magistrados, lideranças e trabalhadores de um modo geral, que configurem casos de crimes contra direitos humanos, deveriam ter, obrigatoriamente, a presença de reforços federais, porque senão vamos continuar a ver situações como essas, que chocam o país e até o mundo, sem soluções".
A representante da SDDH, Anna Cláudia, lembrou que há esse debate na sociedade, sobre um Sistema Único de Segurança Pública, que una esforços, forças, logísticas, políticas, instituições que pensem sistematicamente o combate à violência em todos os níveis, "e os direitos humanos são parte fundamentais nesses debates e ações", concluiu a advogada.
A ouvidora, Eliana Martins, abrigou os manifestantes e conversou mais sobre lacunas na investigação, que pretende também protocolar como pedido de providências junto à Segup.
Para lembrar
Welbert, trabalhador da fazenda do complexo Santa Bárbara, em São Félix do Xingu, está desaparecido há quase um mês. O rapaz tem quatro filhas, crianças de até 5 anos. Welbert fora acidentado na fazenda, onde machucou o braço, e estava impedido de trabalhar; estava de licença saúde. O rapaz realizou exames periciais médicos por conta própria, que nunca foram cobertos pela administração da fazenda. Chamado para acertar essas dívidas pelo gerente da mesma, jamais foi reencontrado.
"Lago Justa Causa"
Na fazenda há um lago que mede 2km x 600m, o "Lago Justa Causa", e é lá, suspeitam familiares, que o corpo de Welbert deve estar escondido.
O deputado Puty lamentou e se solidarizou com familiares de Welbert. "Estamos solidários com a família de Welbert, como estivemos com tantos outros trabalhadores, que simplesmente lutam por seus direitos nesse nosso imenso estado, mas, infelizmente, isso se torna, muitas vezes, motivo de prenúncios de palcos de uma violência desmedida, seja nas cidades, seja no campo. E essa violência recai sobre jovens, como Welbert, que deixa por terra famílias e os sonhos de viver, morar e trabalhar. Vamos continuar a dirigir esforços para apoiar investigações, cobrar das polícias o empenho devido, e mais que isso encontrar, no âmbito legislativo, caminhos para que as políticas protejam mais pessoas como Welbert ", disse Puty.
Leia e escute mais entrevista no site da OAB-PA