Caso Caribé: mais uma vítima do latifúndio no Pará leva réus à Bragança

Por Sandy Faidherb

Hoje (24) ocorreu o início de uma batalha judicial em que mais uma vez a força do latifúndio e o valor da vida foram contrapostos no Pará. Tratou-se do começo da instrução processual do assassinato de Valmeristo (Caribé) e tentativa de assassinato de João Galdino (Clone), crimes ocorridos em 3 de setembro de 2010. Os crimes, segundo conclusão das investigações realizadas em inquérito policial e a denúncia do Ministério Público, foram cometidos por Jack, Pedro e Maranhão (apelido dos executores) a mando de Marcos Bengston. A suposta fazenda do pai do mandante, Josué Bengston, deputado federal pelo PTB, é objeto de conflito entre ocupantes de parte da área, dentre os quais as vítimas faziam parte. O litígio em torno da posse da área está curso em ação própria na Vara Agrária de Castanhal e apresenta provas de que a área em questão trata-se de grilagem de parte da Gleba Pau de Remo, terra da União. A luta pela reforma agrária é, portanto, o pano de fundo dos crimes ocorridos, uma vez que os que se dizem "donos" da fazenda não admitem serem questionados diante do poder econômico e político que exercem no contexto paraense. Depois de remarcada a audiência uma vez, hoje foram ouvidos o Clone, vítima e informante, e Paulo Vicente, tido como informante. Foram depoimentos importantes para a acusação dos réus, uma vez que deram detalhes que relacionam os fatos aos denunciados. Para o dia 4 de junho está remarcada nova audiência, para continuar a escuta de testemunhas.

Estiveram presentes na frente do Fórum até o fim da sessão membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), acampados no Quintino Lira, companheiros e companheiras do finado Caribé. A luta jurídica e social continua e cada andamento processual é uma vitória em busca de desvelarmos a verdade dos fatos, à medida que são colocadas em exposição as irregulares cometidas pelos réus, representantes de interesses contrários aos trabalhadores e sobreviventes das injustiças sociais.