“Educar e Resistir por Direitos Humanos na Amazônia”
Por
Domingos Conceição
Nestes 41 anos de lutas e defesas das ações
coletivas por direitos humanos, cai bem, se usar o título do Projeto: “Educar
e resistir por direitos Humanos na Amazônia”, o qual é uma grande
potência político-crítica para reagirmos a política apocalítica tóxica do
presidente eleito nas últimas eleições no Brasil.
As eleições que para muitos de nós começara
nos meses de setembro a outubro de 2018, para o candidato eleito, iniciou-se nos
idos de 2014, logo após a eleição da Presidenta Dilma Rousseff. Segundo dados
da imprensa brasileira, Bolsonaro percorreu todos os estados da federação
fazendo pregações de sua candidatura em igrejas neopentecostais.
Nesses ambientes religiosos, quatro itens de
sua campanha tiveram grandes destaques: o antipetismo; o kit-gay nas escolas, a
moral familiar e a corrupção, visando a defesa do capitalismo. Na sequência, à campanha
pró-Impeachment teve grande destaque ao futuro candidato quando defendeu o torturador,
Comandante Ustra.
Com a vitória do impeachment, a ascensão de
Temer à Presidência da República, o apoio da imprensa, do parlamento e de
alguns setores conservadores e de parte da classe média, o deputado estabeleceu
uma marca para ofender e agredir ao povo brasileiro naturalizando e banalizando
o racismo, a homofobia, a xenofobia, o machismo, a violência e impondo uma
postura autoritária forte.
Bolsonaro, incentivado pela “nova direita”
brasileira (cite-se aqui o filósofo Olavo de Carvalho) dispara o seu tiroteio a
dois segmentos, que segundo esse grupo de poder tem que ser rejeitado na
sociedade: os criminosos e os defensores de direitos humanos. Para o primeiro,
a ameaça consistia em prender o possível e matar os demais e o segundo,
reproduzia o discurso da mídia: “que direito humano serve para defender
bandido”.
No augido de sua campanha, Bolsonaro passou a
atacar a população negra, mulheres e LGBTTI+, combinando o senso comum racista,
homofóbico e o “hetero-patriarcado” da sociedade brasileira, dando uma de
superherói, elevando o superego dos desvalidos que por serem traídos pelos petistas
corruptos, passavam a apostar todas as fichas no novo messias que estava
chegando para salvar o Brasil.
Embalado pelo fenômeno global da “guerra do
ódio”, o qual a burguesia defende o extermínio de seus opositores,
independentemente da classe em que esse pertença, o que cominou com o
surgimento de um medo generalizado, pois o candidato ameaçou que se eleito
faria uma guerra para matar 30 mil pessoas, inclusive, entre elas o
ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso.
Essa é uma prática imposta pelo “ultraliberal
protofascista”, que nada mais é do que um aprofundamento da dependência e do
subdesenvolvimento; o aumento do caráter classista do Estado, com a intensificação
da repressão as camadas populares (a massa da população) e uma convivência
cínica com a corrupção estatal, que não tem nenhum interesse em solucionar esse
problema.
Para uma instituição de vida histórica como a
SPDDH que se consolidou com os lutadores que enfrentaram a ditadura de 1964,
seus protagonistas de hoje terão que apreender com a dura realidade que estar se
impondo, visando construir uma nova práxis, uma nova linguagem e a politização
de nossas ações coletivas para que não sejamos como o papagaio, mas e,
necessariamente um agente humanista crítico para enfrentar o ‘Estado criminal’ e
um Estado empresa que está desenhado para o Brasil, daqui por diante.
Estamos vivendo uma hora política no Brasil,
advinda de “uma vitória eleitoral e de uma vitória política”, que deve ser
enfrentada com a construção da revolução brasileira, baseada nas profundas
transformações na política, na cultura, na economia, na raça e etnia de nossa
população.
Nós dos direitos humanos Amazônico, devemos
radicalizar na politização do nosso Projeto “Educar, Resistir por Direitos Humanos
na Amazônia”. Fazer da resistência a nossa pauta principal de lutas
coletivas, aonde a SPDDH seja a entidade coordenadora da pauta de direitos humanos
no Pará.
Não vamos abrir mão do que define a
Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), em toda a sua dimensão textual,
referente aos direitos e a liberdade de ir vir no território nacional e no
Território Amazônico. Este documento universal que completa em 10 de dezembro
deste ano, 60 anos e, que para a SPDDH é o leme de nossas lutas coletivas, nos
guia para seguir na luta por “resistência e direitos humanos na Amazônia”.
As massas populares e a classe trabalhadora,
que viveram as últimas eleições, não podem seguir desempenhando um papel romântico
neste contexto e conjuntura que iremos atravessar nos anos vindouros que virão.
O trabalho social, político, econômico, cultural e racial que a SPDDH deve
desenvolver como metodologia de resistência e educação, é propor um antagonismo
de classe como ação de direitos humanos.
O território para conformar-se neste
antagonismo é a tradição e a contemporaneidade da luta popular por direitos
humanos que por 41 anos, a SPDDH tem desenvolvido no âmbito do jurídico, da
história política e sociológica, que o trabalho tem promovido em oposição ao
capital.
O nosso antagonismo de massa popular e de
classe trabalhadora é para desmontar o palanque da vitória eleitoral e da
vitória política, que se estabeleceu no Brasil, e se pretende manter-se como
marca de um “estado empresa”, com base na dependência econômica do capital
externo e periférico, se entregue a Amazônia, a Petrobrás e as demais riquezas
existentes no Brasil.
Portanto, nossa educação e resistência por
direitos humanos, deve abrir um profundo debate sobre o nacionalismo que queremos
para o Brasil, como “Projeto de Nação e pátria livre” para os que dela precisam
para ter uma democracia participativa, antagônica e hegemônica à classe
dominante para viver.
Este nacionalismo que as amplas participações
populares devem se desafiar a assumir às suas lutas coletivas, vai na direção
de ser antagônico a entrega do país ao capital rentista, como promete o
protofascista e seus seguidores golpistas como, por exemplo, o seu ministro do
planeamento, que se mostrou recentemente, em reunião com os senadores, não
saber que o orçamento do país da gestão que se encerra, seja utilizado no
primeiro ano do governo que se inicia.
As nossas ações coletivas de direitos humanos
têm que exercer um papel de orientar a massa da população dos bairros de nossas
cidades jurídica, social, política, cultural, economicamente e racial, de como
os seus direitos devem ser utilizados.
Com esta edição especial de nosso histórico RESISTÊNCIA não abriremos mão de nenhum
direito em que as massas populares como classe
em si tenham, pois acreditamos que o resultado de uma luta pedagógica de
que não podemos soltar as mãos de ninguém, cremos que seja possível em um
futuro bem próximo, nos tornamos classe
para si, como sujeitos históricos de profundas transformações.