Representantes da sociedade civil e movimentos sociais do campo reúnem com o governador do Pará sobre a PL 129/2019.
(Marcha contra o despejo do Acampamento Dalcídio Jurandir em Eldorado dos Carajás junho 2019 -
MST Pará Foto: VBrigida)
Por
Viviane Brigida
Na Manhã desta segunda-feira, 01 de julho de
2019, o governador do Estado do Pará, Hélder Barbalho recebeu representantes da
sociedade civil e dos movimentos do campo no Pará em uma audiência para tratar
da PL 129/2019. Nova Lei de Terras do Pará foi enviada no dia 15 de maio de
2019 à Assembleia Legislativa do Estado do Pará, o Projeto de Lei foi aprovado,
em 1° e 2° turnos, no último dia 11 de junho de 2019. E na última semana,
seguiu par sanção do governador.
A Via Campesina Pará (conjunto de organizações
campesinas de atuação nacional e internacional) se manifestou contrária a Lei
de Terras. Para a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) como
também para os representantes dos movimentos que estiveram na reunião como
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimentos dos Atingidos
por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Federação
dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGRI) este projeto visa a mercantilização
da Terra no estado, a grilagem de terras e a criminalização dos movimentos
sociais.
Durante
a audiência, as lideranças dos movimentos se manifestaram sobre os principais
pontos da nova lei pedindo para que o governador reveja o documento antes de
ser sancionado.
Para os especialistas no assunto se destaca
artigos como o debate de títulos no que se refere em inserir na efetivação da
política de alienação de terras públicas estaduais que iniciou com a edição do
Decreto Estadual 410, de 08 de outubro de 1891 e seu decreto regulamentador, o
Decreto de 28 de outubro de 1891 e deve ser analisado em conjunto com
diferentes instrumentos criados ao longo do tempo: Títulos de Posse,
Legitimação dos Títulos de Posse, Alienação Não Onerosa (Doação), Alienação
Onerosa (seja via Licitação ou via Requerimento). Isso estava previsto na Lei
nº 7.289 de 24 de julho de 2009 que se pretende revogar nesta PL.
Para os movimentos um dos pontos a ser
discutidos é a importância de documentos que há muitos anos deixaram de ter
valor jurídico, o que se pretende é priorizar papeis antigos já declarados
caducos em detrimento da posse efetiva.
Nesta manhã o governador mostrou disposição em
sinalizar positivamente os pontos críticos para as organizações. Frisou que irá
sancionar vetos nos artigos que correspondem à criminalização dos movimentos e
privatização das florestas. Na reunião foi encaminhada uma comissão para rever
os textos dos artigos em uma reunião na Procuradoria Geral do Estado (PGE) na
nova lei antes de ser publicada oficialmente pelo Estado. A reunião também
contou com a presença dos Deputados Estaduais Carlos Bordalo e Edivânia Faro,
do Partido dos Trabalhadores (PT).
Em abril deste ano, durante a Jornada de Luta
pela Reforma Agrária, o governador em reunião com o Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra se comprometeu com a implementação de uma política de reforma
agrária no estado, de forma que foi até instituído um grupo de trabalho com
órgãos do governo e organizações do campo para formular ações de políticas
públicas para o campo.
