Fazendeiro Delsão é levado a Júri novamente
Está marcado para o dia 13/08/2019 (terça feira), com
início às 08h da manhã, no Salão do Júri da 2ª Vara do
Tribunal do Júri do Fórum Criminal de Belém, o
segundo julgamento do fazendeiro José Décio Barroso Nunes, o Delsão, acusado de
ser o mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho,
crime ocorrido em Rondon do Pará no dia 21 de novembro de 2000. O julgamento
ocorrerá em Belém, devido o processo ter sido desaforado para a comarca da
capital. Delsão foi condenado a uma pena de 12 anos de prisão no primeiro
julgamento, ocorrido em Belém em 30 de abril de 2014. Porém, o TJPA anulou este
julgamento, com isso o fazendeiro vai ser submetido à este novo Júri.
Ao longo desses quase 19 anos, os familiares do
sindicalista, com apoio da FETAGRI e de entidades de defesa dos direitos
humanos (CPT, SDDH, Terra de Direitos e Justiça Global) lutam contra a
impunidade, concentrando todos os esforços para que todos os acusados pelo
assassinato do sindicalista fossem identificados e punidos, mas, forças
contrárias que atuam dentro do governo do Estado, do Ministério Público e do
Poder Judiciário tem impedido que isso aconteça.
Delsão é um fazendeiro poderoso e
violento, possui cerca de 130 mil hectares de terra em Rondon, quase totalidade
em terra pública federal e estadual. Até hoje nunca foi incomodado pelo INCRA,
ITERPA ou Terra Legal sobre essas propriedades. Responde a mais de 30 embargos
do IBAMA por crimes ambientais praticados em suas fazendas. Responde a mais de
500 processos na Justiça do Trabalho por desrespeito aos direitos trabalhistas
dos funcionários de suas serrarias e fazendas. Responde ainda a mais de uma
dezena de execuções fiscais na Justiça Federal de Marabá. Talvez por isso, a
Justiça do Pará tenha sido tão omissa em sua punição como mandante da morte do
sindicalista Dezinho.
Este
é um julgamento importante para toda a sociedade civil organizada que lutam
contra a impunidade, em defesa da justiça e dos direitos humanos. Por isso
convidamos as organizações, entidades de direitos humanos e movimentos sociais
para que possam se somar e se solidarizar neste dia, acompanhando este
julgamento durante todo o dia.