DIA DA AMAZÔNIA
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO
Estamos presenciando uma série de ataques incendiários e
criminosos na
nossa floresta amazônica, por meio de
queimadas ilegais, de modo desenfreado, acarretando uma série de consequências
ambientais para os estados do Norte, para o Brasil e até mesmo para o mundo.
Sabe-se, pela imprensa, que no dia 10 de agosto de
2019, foi orquestrado por produtores rurais da região Norte do país um
grande movimento conjunto para atear fogo na floresta amazônica. Esse dia foi
batizado como o “Dia do Fogo”. A partir dessa data, houve um aumento
significativo no número de queimadas. Dentre as principais áreas atingidas se
encontram as reservas florestais das cidades de Novo Progresso, Altamira, São
Félix do Xingu e área do Alto Rio Madeira (Sul do Amazonas e Rondônia).
O
movimento aberto “Salve a Amazônia” foi criado com o intuito de mobilizar e
conscientizar toda a população acerca dos crimes ambientais que vêm sendo cometidos e intensificados nos últimos meses, assim
como esclarecer sobre o papel fundamental dos
cidadãos e cidadãs, das ONGs e
instituições de defesa do meio ambiente no processo
de ampliação das políticas públicas de proteção que vinham reduzindo
gradativamente o desmatamento e as queimadas na região para incluir também o
reflorestamento das áreas degradadas. O movimento é composto de grupos,
coletivos, assim como de participações individuais.
As
práticas das queimadas desenfreadas não afetam somente os animais e a
vegetação. Um dos principais atingidos com essa prática são os povos originários, indígenas, extrativistas, seringueiros, todos os povos da floresta, que dependem diretamente do meio ambiente para sua subsistência, assim como para suas
práticas culturais. Desde o dia 10 de agosto as principais terras indígenas
atingidas pelo fogo foram: o Parque indígena Araguaia (TO), TI Pimentel Barbosa
(MT), TI Parabubure (MT), TI Apyterewa (PA), TI Marãiwastsédé (MT), TI Kayapó
(PA), TI Areões (MT), TI Kanela (MA), TI Mundurucu (PA), TI Pareci (MT).
Nós,
do movimento “Salve a Amazônia”, criticamos e repudiamos a postura do presidente da República, o Sr. Jair Bolsonaro,
devido sua total falta de ação responsável e efetiva
para combater com seriedade os desastres ambientais que vêm ocorrendo, negando-se, inclusive, a aceitar ajuda financeira e de
equipamentos de outros países que se disponibilizaram
a ajudar, já que o principal argumento do governo era a falta de recursos
financeiros para combater as chamas desenfreadas. Criticamos também os
discursos do presidente que acabaram por inflamar
ainda mais a prática das queimadas, negando a importância que a floresta tem
para a manutenção do clima mundial, assim como julgando desnecessárias e
excessivas as reservas florestais já existentes.
Questionamos ainda
os altos cortes financeiros feitos para os órgãos de combate a incêndios
florestais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com o consequente
desmantelamento das ações de proteção e a demissão do presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Exigimos respeito,
atenção e cuidados para todos os povos e animais que dependem diretamente da
floresta para viver!
