Povo Muduruku em Resistência
Por Viviane Brigida
No
início desta semana, as organizações de luta do povo Munduruku protocolaram
denuncia aos procuradores federais e estaduais em função dos últimos acontecimentos
no território indígena, onde garimpeiros ilegais agem na região e há iminente conflito.
O Movimento Ipereg Ayu e as associações Wakoborũn, Arikico e Da’uk,Conselho Indígena do Alto Tapajós-CIMAT relataram em documento o que está acontecendo desde domingo (14/03) até o momento.
As organizações indígenas fazem um apelo aos responsáveis dos direitos indígenas para que tomem providências imediatas. De acordo com a carta enviada ao Ministério Público, os garimpeiros com maquinários adentram o território, os guerreiros e guerreiras decidiram impedir a entrada.
Por causa disso, os indígenas afirmam que o Igarapé Baunilha, que fica terra indígena Muduruku está na rota dos garimpeiros e eles decidiram proteger o território da invasão.
“Este igarapé está na rota da destruição pela invasão garimpeira. Nossa fiscalização é construída pela aliança entre caciques, mulheres, lideranças e as nossas organizações de resistência” relatam.
A terra indígena Muduruku fica na região do tapajós, está entre as que sofre os impactos sociais e ambientais na região amazônica com desmatamento, com a mineração e já sofreu um colapso durante a pandemia da covid-19.
“Os guerreiros e guerreiras decidiram ir tentar impedir que mais uma máquina pesada entrasse. Sabemos todos os malefícios desta prática para nosso povo, somado a isso o estado deplorável que vivemos por conta do aumento da covid-19, malária e mercúrio” descrevem os indígenas no documento.
As lideranças indígenas denunciam que a prática ilegal do garimpo na região provocará um iminente combate e que estão com dificuldades de contato com os guerreiros e guerreiras que estão nos rios impedindo a entrada dos garimpeiros e das máquinas.
A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos acompanha com preocupação a situação dos povos indígenas da região do tapajós. Os garimpeiros também estão com helicópteros para ameaçar os indígenas e grupos criminosos atuam desde 2020. Estão intensificadas as ações de violações dos direitos indígenas. É preciso ações urgentes dos órgãos responsáveis para evitar mais um massacre de indígenas.
Processo nº 1000962-53.2020.4.01.3908 – Justiça Federal em Itaituba (PA)
