Texto na íntegra do Jonal Resistência: Ensaio sobre questões raciais e de representatividade na Infância
Por: Thais Sombra, Escritora, Arte-educadora, Artista Visual e Integrante do Coletivo Ilustra Pretice PA.
Ensaio sobre questões raciais e de representatividade na Infância
Não é fácil dar nome a nossa dor, torna-la lugar de teorização.
Hooks, Bell. Ensinando a Transgredir, (pag.102). 2002.
Começo esse ensaio referenciando Bell Hooks que nos fala do quão doloroso e por vezes cansativo é o processo de Teorizar, escrever, dialogar sobre questões étnico raciais por terem uma ligação direta com nossas vivências ou com o racismo e escravidão que acometeu os primeiros Africanos sequestrados a força para viver nesse País e que respingam em nossa sociedade e vidas até os dias de hoje. Falar sobre Racismo no Brasil muitas vezes pode se tornar exaustivo pelo fato de que nós, corpos negros em movimento e diáspora, tivemos e temos um longo trabalho pela frente no sentido de abrir caminhos nesse campo de conhecimento sobre nós mesmos e pontuar que certas “verdades” ditas na academia, nas escolas e nas mídias não nos contemplam, não nos dão voz.
Rosana Paulino, professora, pesquisadora e artista visual de Freguesia do ó, em sua exposição intitulada Assentamento (2013) retrata bem a questão que permeia nossas vivências ao trazer a imagem do corpo de uma mulher negra costurada de forma que as partes não conseguem se encaixar totalmente. Essa é a triste realidade do trauma e violência que atinge a população negra: Um corpo que não consegue ser o mesmo de antes, que não consegue se reconstruir por completo porque o fantasma do Racismo é mais real do que os filmes que retratam o Brasil com representações somente de pessoas brancas quando mais da metade da população (54%, dados do IBGE, 2019.) é negra.
E como é dito no filme Uma História de amor e Fúria (2013): “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro”. Vivemos um grande trauma coletivo enquanto povo que foi forçado a esquecer de sua própria história e a se odiar. E é nesse escuro que buscamos conhecer o passado e presente que aqueles que chamam de herói nos tiraram.
Quero deixar explicado que minha intenção nesse ensaio não é construir uma narrativa de herói e vilão, certo ou errado, mas obviamente acredito que para pensarmos em futuros possíveis para a população negra, precisamos desvelar a narrativa de Descobrimento do Brasil, de Democracia Racial e igualdade e de que somos todos iguais. Ainda é necessário mesmo agora em 2021 com uma abrangência de acesso a informações resultado das redes sociais e tecnologias, do aumento de pessoas negras nas universidades, reforçar que o jargão de que somos um só e todos iguais não passa de uma falácia desonesta que serviu para mascarar a verdade cruel da escravidão no Brasil que “acabou” somente por pressão de outros Países que já haviam abolido e por pressão popular de nossa população, e que ainda assim os povos escravizados foram largados sem casa, sem emprego, sem acesso à educação, mesmo depois de terem sido sequestrados e torturados nesse País; E se hoje ainda riem do meu cabelo, se hoje a menina negra ainda odeia o seu cabelo crespo e o menino negro sofre calado suas solidões, é consequência de algo que nunca foi justo ou teve intenção de ser.
Por esse motivo, se torna necessário sim colocar uns dedos nas feridas a tanto tempo abertas e que sempre doem mais do lado de cá do que de lá e para isso, pontuar a desonestidade de mentiras que permeiam a história que na minha infância era narrada nas aulas de história Brasileira é essencial. A branquitude*¹ de forma geral ainda precisa aprender a nos escutar mais, falar de menos e agir mais também. Já assisti e presenciei inúmeras vezes pessoas brancas afirmando que o meu discurso ou de outros irmãos era agressivo e isso não faz o menor sentido quando a realidade demonstra que são os nossos que estão sendo literalmente agredidos e mortos a mais de 500 anos. Tentar fazer a lógica reversa é perpetuar a narrativa “implícita” do herói e vilão, do ser intocável com ser que resiste mais a dor, é o que Grada Kilomba explica em seu ensaio a Máscara do livro Memórias da Plantação – episódios de racismo cotidiano (2008) quando fala sobre o olhar e pensamento do colonizador: “ No mundo conceitual branco, o sujeito Negro é identificado como o objeto “ruim”, incorporando os aspectos que a sociedade branca tem reprimido e transformado em tabu, isto é, a agressividade e a sexualidade. Por conseguinte, acabamos por coincidir com a ameaça, o perigo, o violento, o excitante e também o sujo, mas desejável – permitindo que a branquitude olhe para si como moralmente ideal, decente, civilizada e majestosamente generosa, em pleno controle e livre da inquietude que sua história causa.”
É fato que de 500 anos para cá, muitas conquistas aconteceram no sentido da representatividade, e muitas dessas foram resultados de lutas continuas dos herdeiros e herdeiras de Ananse (Maneira que Zélia Amador de Deus intitula o Movimento negro ou as pessoas negras em movimento no seu livro Ananse Tecendo Teias na Diaspora, (2019)). Já há mais desenhos infantis por exemplo, com representatividade positiva de crianças negras de forma que há a possibilidade de trabalhar a questão da auto estima e respeito as diferenças bem mais do que em meu período de infância, desenhos como Steven Universe (2013), Doutora Brinquedos (2012), O Mundo de Greg (2018), She-ra (versão da Netflix, 2018), Pantera Negra (2018) entre outros, apesar de recentes são referências necessárias e positivas para desmistificar as imagens tão reproduzidas dos desenhos animados de representações somente de crianças brancas e dos personagens negros sendo coadjuvantes na trama do protagonista.
E ainda sobre a infância, é triste constatar que nossas crianças e jovens negros permanecem sendo impossibilitados de viverem o seu cotidiano por serem vítimas de extermínio pelo estado que em 2019 foi responsável por 1.814 pessoas mortas em ações da polícia, destes 1.423 foram pretas ou pardas e entre elas, 43% tinham entre 14 e 30 anos de idade (IBGE, 2019). E segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2019 das 5 mil mortes violentas de crianças e adolescentes, 75% foram de crianças negras, isso significa que em média 10 crianças e adolescentes negros são mortos por dia de forma violenta. Em um País onde a maior parte da população é Negra, e onde supostamente o racismo não existe, fatos intragáveis como esse jamais deveriam acontecer. Falo da questão da infância porque é duro perceber que pessoas negras mesmo agora após 500 anos do sequestro e violência, ainda não conseguem viver plenamente, do início da invasão até os dias de hoje nossas crianças ainda estão sendo poupadas do seu direito de simplesmente serem crianças e isso é alarmante, inadmissível e horrendo demais.
Hoje consigo perceber com certa frustração o quanto a minha infância e de muitos garotos negros na escola foi cruel e difícil, pois este lugar de conhecimento estava dominado em sua maioria por um pensamento excludente e racista. Do silêncio dos professores a direção que não faziam caso das piadas racistas sobre nossos cabelos, pele e traços, me recordo de não compreender no oitavo ano o motivo de precisar estudar O Ensino da Cultura Afro-Brasileira que em 2003 se torna obrigatório nas escolas através da implementação da lei 10.639. Naquele ano eu ainda não conseguia compreender mas hoje sei que minha não aceitação daquela disciplina se dava pelo fato de já vivenciar em meu corpo e mente a ideia concebida pelo outro sobre mim. Era a repetição direta de que meu cabelo, boca, nariz e pele eram feios e de ver os meus na marginalidade ou sendo representado em telas em grandes espetáculos transmitidos pontualmente no horário de almoço nos Jornais na tv aberta como criminosos. E nesse sentido é essencial que todos nós como cidadãos Brasileiros que temos de maneiras distintas responsabilidades de enfrentar as questões raciais, começarmos a trabalhar e dialogar sobre Racismo com crianças brancas e negras desde o início da infância. Pois levar discussões acerca do racismo desde a infância tem um impacto direto na formação de autoestima e reconhecimento de crianças negras e de respeito as diferenças para crianças brancas. A ausência nas escolas de conteúdos voltados a história afro-brasileira, ao passado de um povo, faz com que implicitamente se constitua compreensões racistas e noções de superioridades na cabeça de crianças brancas que se enxergam em todos os lugares possíveis como protagonistas e criam em si desde cedo suas noções de subjetividades, sem acesso a informação muitas acabam infelizmente crescendo com a ideia de que só os que se parecem com ela são bonitos, devem ser valorizados e respeitados e em contrapartida as crianças negras crescem sem auto estima, odiando seus traços e desejando ser o que nunca serão: Brancos. Reverter essa lógica só é possível através da educação nas salas de aula, de mais representações positivas de pessoas negras nas mídias, nas novelas, filmes e televisão e de políticas públicas voltadas a diminuir as desigualdades sociais.
Por isso é necessário também pensar uma formação de Professores direcionada a questões étnico raciais e questões sobre educação indígenas que também se torna obrigatório através da lei 11.645/2008. Esse é um caminho possível para amparar nossas crianças não brancas e quem sabe reduzir a evasão escolar e as outras problemáticas que envolvem a questão da educação. Digo isso porque percebo também enquanto estudante de Licenciatura em Artes Visuais e futura professora, que a formação nas universidade de licenciatura muitas vezes não conseguem dar conta de nos trazer esses conhecimentos para podermos trabalhar em sala de aula sendo necessário fazermos pesquisa em outros meios, de outras formas para poder ter o mínimo de preparo para o desafio de ensinar para uma turma de alunos diversa, multicultural e étnica. Como Bell Hooks diz: “O multiculturalismo, obriga os educadores a reconhecer as estreitas fronteiras que moldaram o modo como o conhecimento é partilhado na sala de aula. Obriga todos nós a reconhecer nossa cumplicidade na aceitação e perpetuação de todos os tipos de parcialidade e preconceito.” (HOOKS, Bell. pag.63. 2002.‘‘Ensinando a Transgredir: A Educação como Prática da Liberdade”). O reconhecimento de uma educação que perpetua preconceitos e que é parcial é o primeiro passo para começarmos a pensar e pôr em prática uma educação anti-racista e libertadora.
Compreendo que tanto a lei 10.639/2003 e a lei 11.645/2008 são recentes e com isso, ainda há muita estrada a frente para que tais mudanças sejam mais concretas. No entanto, ao ver os dados sobre evasão e morte de nossas crianças percebo a necessidade de termos pressa, de termos consciência de que não dá mais para viver outros 500 anos deixando a população negra e indígena que foram fundamentais para construção do País, a margem e negligenciadas enquanto um único grupo permanece colhendo os benefícios do suor e sangue de outres.
E isso nos leva a essa outra problemática em relação a educação que é a de que os nossos acessos a escolaridade permanecem sendo mínimos. Apesar da tentativa de diminuir essa desigualdade com as cotas nas universidades, a evasão escolar por exemplo, ainda é maior entre pessoas pretas e pardas (55,4%) em relação a pessoas brancas (43,4%), de acordo com o MEC. E existem diversos fatores que justificam essa evasão e dentre eles há o racismo e não representação nos conteúdos e no meio escolar de maneira geral e a urgência de por comida no prato. Infelizmente a pobreza atinge 56% das crianças negras em relação a 32,9% de crianças brancas, ou seja, uma criança negra tem 70% mais riscos de ser pobre. A fome e necessidade de conseguir um emprego, é um dos tantos fatores que leva os meninos e meninas pretos a não concluírem o ensino. Eu, filha de vendedora e eletricista sei bem o que é sentir o peso dos sonhos abdicados dos pais para poder ascender e ter o mínimo de chance de reverter essa lógica.
Ingressei na Universidade Federal do Pará-UFPA no ano de 2015 em minha segunda tentativa, não me inscrevi por meio da lei de cotas raciais (12.711/2012) o que hoje reflito que foi positivo no sentido de trazer para meu curso mais alunos negros naquele ano, porém o que levou a minha não inscrição nesse sistema era a negação constante de familiares e posteriormente de eu mesma de que era negra, sendo substituído minha etnia por morena ou parda atrelado as inúmeras tentativas de enbranquecimento através dos produtos químicos colocados em meus cabelos para eles não armarem e das maquiagens que eram 3,4,5 tons mais claros do que a minha pele. Relato isso para exemplificar e reforçar o quanto nós ainda sofremos o reflexo de um País que nega e esconde o seu erro e de como isso está tão entranhado em nossas vidas ao ponto de somente aos 19 anos eu descobrir através do acesso a Universidade que tudo o que aprendi sobre mim mesma era uma farsa perversa inventada pelo outro, sobre mim. Como Fanon afirma em seu Livro Pele Negra, Mascaras Brancas: “A experiência vivida do negro será sobretudo dada pelo olhar do branco: “É o racista que cria o inferiorizado” (Fanon, 2008, p. 90). Foi o outro que criou em mim mesma as imagens negativas sobre meus traços e é por conta disso que nós do campo da educação temos uma missão tão importante e inadiável, a de não permitir que outras crianças cresçam sem essas noções de identidade e se tornem adultos com baixa autoestima e a de ensinar a quem ocupa o lugar de privilégio que é possível dar espaço através deste lugar para que outros também possam estar. Menciono também o meu ingresso a universidade para pontuar que o acesso da população negra as universidades ainda é menor em relação a população branca e que a academia também necessita urgentemente de mudanças em seus processos formativos para contribuir para a equidade racial. No entanto também reconheço que através da lei de Cotas houve um aumento significativo do ingresso de pessoas não brancas as universidades apesar de ainda não se igualarem a população branca. De acordo com a pesquisadora do Ipea e autora do estudo “Ação Afirmativa e População Negra na Educação Superior: Acesso e Perfil Discente”, Tatiana Dias Silva, a maior frequência de negros no ensino superior público e privado é evidente na pesquisa. Segundo ela, em 2001 eles representavam 22% desses estudantes, já em 2015 essa participação alcançou 44%. Esse incremento considera também 17% de aumento no total de pessoas que se autodeclararam pretas ou pardas, ao sair de 46,1% para 53,9%. Na graduação pública, o salto nessa frequência foi de 31,5% para 45,1% no mesmo período, embora a pesquisa tenha contemplado recortes quanto à graduação nas redes pública e privada, no ensino público e em instituições públicas federais (Fonte:Ipea.gov.br). Ou seja, o acesso de estudantes negros as universidades contribuiu até com o aumento na auto declaração e afirmação das identidades o que resulta consequentemente em uma maior consciência que irá gerar frutos para as próximas gerações e isso é uma conquista recente de menos de 10 anos de prática que já trouxe avanços irreversíveis para nós.
Por fim, gostaria de ressaltar o quanto a ausência de investimentos governamentais na educação pública contribuem para o aumento das desigualdades e do não acesso à tecnologia que se tornou tão explicito ano passado e neste ano de 2021 no decorrer dessa pandemia. Professores com inúmeras turmas em grupos no celular, precisando dar conta de ensinar remotamente e alcançar alunos que não tem acesso ao celular ou que muitas das vezes acessam o de outros familiares. Se nas salas de aulas já há dificuldades de aproximar o conteúdo dos alunos e atrair os seus interesses para dialogar, aprender e pesquisar, imagine fazer isso em telas e com alunos que utilizam internet móvel, que as vezes estão passando por diversas dificuldades dentro do ambiente familiar que impossibilitam sua permanência nas aulas online.
De acordo com um levantamento do Unicef, o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância, em novembro de 2020, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não frequentavam a escola (remota ou presencialmente) no Brasil. Outros 3,7 milhões de estudantes matriculados não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram estudar em casa (Fonte:bbc.com). E quando afunilamos ainda mais esses dados, pensando sobre a região Norte percebe-se que essas desigualdades são ainda mais gritantes: 40% das crianças do ensino fundamental e quase metade dos alunos do ensino médio ficaram sem atividades durante julho, embora não estivessem de férias. Por outro lado, no Sul, 91,7% das crianças do fundamental e quase 90% das do ensino médio tiveram acesso a atividades educacionais remotamente no mês. (Dados: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19) mensal, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)).
Sendo assim, é preciso reconhecer que esse sistema excludente só perpetua até os dias de hoje pela falta de investimentos em uma educação anti-racista, multicultural, se perpetua também através da exclusão de corpos negros das escolas, das mídias, dos espaços de poder e conhecimento, e da negação de corpos brancos em tentar efetivamente compreender as questões étnico raciais numa perspectiva crítica, auto analítica e de mudança. Também acredito que tais mudanças que vivemos hoje só foram possíveis pela luta árdua do movimento negro e de pessoas negras em movimento que ao conseguirem acessos aos espaços começam a nomear suas dores e assim teoriza-las, torna-las lugares de conhecimento. É necessário sempre que possível pontuar nossas inquietações e os desafios dispostos no enfrentamento do Racismo e na luta por equidade e respeito que deve se iniciar na base que é a infância. E nesse sentido, penso que é responsabilidade também do sujeito branco mudar essas perspectivas de suas formas, sabendo seu lugar e papel na construção da história do Brasil, se policiando, não se apropriando de espaços construídos através do suor e sangue dos corpos negros e sim contribuindo para levar mais pessoas a esses espaços que também são de empoderamento e conhecimento. Lidar com o racismo é uma missão e responsabilidade de todos nós enquanto sociedade Brasileira, precisamos urgentemente buscar caminhos para dar fim a essa herança escravocrata e levar esperança e possibilidades de futuro onde nossas crianças pretas possam existir.
Finalizo esse ensaio também com Bell Hooks que nos fala que apesar de ser doloroso esse lugar de teorizar nossas dores, a teoria é o que nos cura, é o que nos alimenta de forças para através do conhecimento, nos transformar e com isso transformar a sociedade. “Cheguei à teoria porque estava machucada – a dor dentro de mim era tão intensa que eu não conseguiria continuar vivendo. Cheguei à teoria desesperada, querendo compreender – apreender o que estava acontecendo ao redor e dentro de mim. Mais importante, queria fazer a dor ir embora. Vi na teoria, na época, um local de cura. (pag.83)”- Hooks, Ensinando a Transgredir, 2002.
- Esse ensaio é uma homenagem a Marcos Vinicius da Silva, Agatha Félix, Kauã Vitor da Silva, Anna Carolina de Souza Neves, João Vitor Moreira, Luiz Antônio de Souza Ferreira da Silva, João Pedro Mattos Pinto, Douglas Enzo Maia dos Santos Marinho, Kauã Vítor da Silva, Rayane Lopes, Ítalo Augusto, Maria Alice Neves, Leônidas Augusto, Emilly Victoria, Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, e todas as crianças que tiveram seus futuros ceifados pelas mãos do estado que carrega a herança racista e maldita daqueles que invadiram essas terras, que a gente consiga mudar essa realidade e trajetórias.
*1: O termo teve sua gênese no início do século 20 por intelectuais negros como W.B. Du Bois e Frantz Fanon e se destacou nos anos 1990, nos Estados Unidos. Os primeiros estudos sobre a branquitude no Brasil podem ser localizados na metade do século XX, por exemplo, com os estudos de Guerreiro Ramos. O conceito é utilizado para se referir às pessoas brancas. Ele pode ser entendido como um marcador histórico-cultural, no contexto dos estudos sobre raça e racismo. (Fonte: Wikipédia.org)