Mulheres Quilombolas do Baixo Tocantins realizam intercâmbio para Combater os grandes projetos e os Impactos causados pela Pandemia na Região.
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Racismo, Machismo,
exclusão e invisibilidade, este são alguns dos principais impactos históricos
que as mulheres quilombolas sofrem, e na pandemia esses problemas só
aumentaram. Vindo também á depressão (problemas de saúde psicológica e física)
causada pelos problemas que atingem seus territórios, a exemplo disso, pode-se
citar o constante ataque dos grandes projetos na Amazônia. E as nossas
guerreiras Amazônidas se instrumentalizam politicamente de união e informação
para defender seus territórios.
Mulheres
Quilombolas da Comunidade de Icatu diante do terror da pandemia do Novo
Coronavírus em 2020 passaram por grave momento de depressão, então com isso
começaram reunir e criaram o grupo de mulheres, no mesmo ano foi feito o
primeiro intercâmbio. Em 2021 ainda com graves crises da pandemia no mundo e as
mulheres ainda no período em crise psicológica, mesmo assim continuaram de
forma online reunindo e intensificando as lutas por garantias de direitos.
O encontro foi um tempo e um espaço para as mulheres terem o seu próprio
espaço e lugar de fala. Algumas comentaram que usualmente não falam nos
encontros. Para outras, foi a primeira vez que assistiram um encontro de
mulheres, e foi uma experiência impressionante e empoderante. A liderança
Espiritual da Comunidade Quilombola de Abacatal, Vanuza Cardoso avisou as
mulheres, “Para eu defender o meu território, primeiro tenho que conhecer o
território do meu ‘eu,’ este território do meu corpo.” Esse encontro ajudou a
fortalecer os conhecimentos e as vozes das mulheres quilombolas no Baixo
Tocantins, e com certeza vão levar ideias novas aos seus próprios quilombos.
Construíram e fortaleceram os laços de união entre os quilombos, que serão
essenciais na defesa do território diante de várias ameaças.
Esta organização
de mulheres nesta micro região no estado do Pará estão travando de forma
organizada luta em defesa dos seus territórios, defesa principalmente contra os
grandes projetos que rodeiam essa região, como é o caso da dragagem do Rio
Tocantins que possivelmente afetará 163 comunidades Quilombolas se for aprovado
o trecho Marabá-Baião da proposta hidrovia Araguaia Tocantins. A obra ainda
está na fase de consideração da licença ambiental. O protocolo de consulta pode
ser mais uma ferramenta para proteger o território quilombo, com a criação de
regras que uma empresa ou um órgão tem que cumprir para fazer a consulta com
comunidades a serem atingidas, requerida pela lei brasileiro e internacional
(Convenção 169). Este encontro foi realizado por mulheres com a proposta de
instruí-las para a criação do protocolo de consulta dentro do seu território. A
liderança quilombola Maria José Brito diz que: “Esse encontro vem fortalecer as
mulheres quilombolas do Baixo Tocantins e o seu empoderamento”.
Maria José diz
também que: “O Projeto de dragagem vem ameaçando todo o povo do Baixo
Tocantins, principalmente o ribeirinho, aqui no rio Icatu vai secar, essa luta
vai ser e é incansavelmente a gente não vai desistir, porque corre o risco de
nossos filhos nossos netos não vão ver nosso rio, isso é muito ameaçador para
esse povo como nós que estamos na beira do Rio Tocantins."
A secretária geral da CUT Nacional, Carmen Foro, assistiu o grupo que
debateu a proposta hidrovia. Ela insistiu sobre a importância das mulheres e as
comunidades se organizarem para evitar a morte do rio Tocantins, e não se
permitirem a ser divididas ou iludidas pelas falsas promessas de compensação.
Neste grupo também contou a liderança do MAB Belém, Jaqueline Damasceno,
que cresceu do Rio Tapajós, as suas próprias lembranças de como os portos de
soja em Itaituba causaram impactos fortes. Os pescadores não podem se aproximar
os portos, operados pelo Hidrovias do Brasil, que tem uma segurança forte. Ela
falou que, com os motoristas do grande número de caminhões passando todo dia, a
prostituição e assaltos aumentaram, com prejuízos às mulheres e às
crianças. Terras perto dos portos foram compridas para o agronegócio,
aumentando o preço das terras e impossibilitando que os moradores possam comprar
terras. Hilário Moraes do Malungu, e mulheres quilombolas no encontro, falaram
que, por causa do proposto canal industrial, já no Rio Tocantins a gente vê
esta compra de terras perto dos quilombos para a implantação da soja,
aumentando a pressão sobre as comunidades.
O jornal
Resistência entrevistou também a Quilombola e Ribeirinha de Mangabeira, Maria
Lucia Vieira, diz que: “Esse projeto trará para nós muitos impactos, muitos
prejuízo, principalmente nos que moramos a margem do rio Tocantins, nós seremos
as pessoas que são mais impactados com estes projetos”. Maria Lucia afirma que:
“Eu, por exemplo, sou filha de pescador, foi criada com alimentos tirados dali
de dentro do rio. Com esse projeto a gente vê que nossas próximas gerações
serão afetadas”. “É um grito nosso não Araguaia Tocantins e sim a vida”!
diz a Quilombola Ribeirinha Maria Lucia.
Mulheres Quilombola Presente
Nesta fornada organizada por Mulheres Quilombolas da Regional Tocantina,
contou com a participação massiva das mulheres e nem tanto de homens de:
Limoeiro (ilha aracá) dos Quilombos de: Costeira, Terra da Liberdade, Bailique,
Umarizal, Moju, Mupi Torrão, Itabatinga, Igarapé Preto, Fança, Ilha Grande de
Cupijó, Abacatal, Cupu, Santa fé, Santana, Mola, Sucuriju, Caldeirão, Tambaí,
Nova esperança, Engenho, Calados, Campinho, São Benedito e Arirá.
Foto: Cristivan Alves

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