CARTA DAS JUVENTUDES DO POVO MUNDURUKU – MÉDIO TAPAJÓS
Estamos vendo os nossos Territórios, costumes e tradições sendo destruídos diariamente em nome da ganância do Pariwat (não indígena). O desmatamento para o avanço do agronegócio, com a implantação de pastos de gados, alimentados pela construção de portos graneleiros para exportação de grãos, como a soja, com o uso indiscriminado de agrotóxico e veneno têm impactado a nossa saúde e bem-viver. O desmatamento originado pela atividade do garimpo ilegal tem prejudicado as vidas dos animais, do povo Munduruku e dos Povos Indígenas que dependem da floresta para a sua sobrevivência, trazendo a destruição da nossa cultura com drogas e alcoolismo, além do aumento da violência sexual contra as mulheres, jovens e crianças do nosso Território, o que afeta diretamente o nosso modo de vida, as nossas tradições e os nossos costumes. Os nossos Ikuk’piat (lugares sagrados), Território dos nossos ancestrais, também estão sendo destruídos, trazendo grandes consequências para a nossa cultura. O nosso rio está sendo contaminado pelo mercúrio, o que está afetando a nossa saúde e bem-viver, causando a morte das crianças e demais moradores das nossas comunidades, destruindo a nossa principal fonte de vida e alimento que é o nosso rio. Devido ao aumento do desmatamento, já estamos sentindo diretamente os efeitos da emergência climática, que afasta nossas caças e altera o ciclo dos nossos roçados, impossibilitando a nossa capacidade de se adaptar para continuar resistindo e sobrevivendo. As denúncias dessas atividades ilegais em nosso Território, têm causado a perseguição contra as nossas lideranças, que tem suas casas invadidas e queimadas.
A morte, a violência e a destruição que vem com o garimpo ilegal e com o agronegócio é incentivada pelo aval daqueles que estão em posição de tomada de decisão e teve uma grande escalada com o governo em exercício, que incentiva a aprovação de Projetos de Lei e medidas, como o PL 490/2007 , PL 191/2020 e PL 2159/2021, que formam o “Pacote da Destruição” e que são um risco à vida dos Povos Indígenas do Brasil, perpetuando um genocídio daqueles que sustentam a vida (nós) e o ecocídio da Floresta que a gente mantêm em Pé, o Marco temporal que querem apagar a nossa história a nossa cultura a nossa língua . Por tudo isso, exigimos que os nossos direitos reconhecidos pela Constituição Federal do Brasil, uma conquista dos nossos antepassados, além de outras Normas Jurídicas e Tratados Internacionais, sejam respeitados, cumpridos e efetivados.
As juventudes reunidas no II Encontro da Juventude Indígena Munduruku vêm prestar apoio às nossas lideranças tradicionais Munduruku e, mais uma vez, viemos reafirmar que o povo Munduruku resiste e é contra todos esses projetos de genocídio e ecocídio dos Povos Indígenas e do meio ambiente no qual vivemos. Assim como nossas lideranças, pedimos a tomada de medidas urgentes por parte dos governantes do Brasil para que acabem com a destruição e protejam efetivamente a vida, a Floresta, a saúde e o acesso à alimentação e água potável. Requeremos ao Estado, a tomada das medidas necessárias para prevenir a violência contra as juventudes, mulheres, lideranças e crianças do Povo Munduruku. Demandamos que o nosso direito à vida, qualidade de vida e vida digna, bem como o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações, o acesso à saúde e a educação sejam respeitados e cumpridos. Além disso, cobramos toda a coletividade, que depende da Floresta em Pé para a sua sobrevivência, que apoie a nossa luta e o manifesto da Juventude Munduruku. Pedimos, também, aos outros Países que compõem a nossa comunidade global, a se comprometer a cobrar o Brasil para que a Demarcação dos Territórios Indígenas ainda não demarcados sejam feitas, bem como seja garantido o direito à vida, a cultura, a Justiça Climática e o direito ao bem-viver no nosso Território.
Seguiremos na luta, seguindo os ensinamentos dos nossos antepassados, resistindo com a Floresta, para manter o nosso maior bem que é o nosso Território, a nossa cultura e as tradições do Povo Munduruku. Sabemos que o nosso Futuro é Ancestral e só terá vida para todos os Povos do Planeta se a gente tiver a possibilidade de seguir resistindo! Porque nós somos a Floresta e a Floresta somos nós! Nós somos a vida! E o Futuro é Agora!
FORA GARIMPO!
SAWE! SAWE! SAWE!
