Lamparina Democracia

  

Hoje 31 de março de 2025. A manhã nasce lenta, tingida por um céu nublado que parecia carregar o peso da história. Em um café no município do estado do Pará, as informações nas redes sociais relembram a data de 1964, quando o Brasil mergulhou em anos de silenciamento e sombras. Mas era outra data que me vinha à mente: 5 de outubro de 1988, o dia em que Ulysses Guimarães ergueu a Constituição Cidadã e, com voz firme, declarou: "Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora, será luz ainda que de lamparina na noite dos desgraçados. É caminhando que se abrem os caminhos. Ela vai caminhar e abri-los."

Lendo essa frase da obra publicada pela Comissão da verdade do Pará que é uma denúncia aos retrocessos e ataques a direitos fundamentais.

 A democracia, como disse Ulysses, nunca foi um ponto de chegada, mas um caminho a ser trilhado, pavimentado com lutas e resistência.

Em algum lugar, talvez em uma comunidade quilombola do Pará, jovens estavam hoje acessando a internet para contar suas próprias histórias, ampliando vozes que antes eram silenciadas. Em outro canto, um trabalhador rural resistia à pressão pela sua terra, amparado por leis que nem sempre lhe garantem justiça, mas ainda assim lhe dão esperança. No Congresso, políticos debatiam reformas que poderiam tanto proteger quanto enfraquecer os direitos conquistados.

 

No Pará, a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) seguia sua missão de enfrentar violações e garantir que as vozes dos invisibilizados fossem ouvidas. Desde os tempos mais sombrios, a SDDH tem sido um bastião na luta pelos direitos humanos, denunciando injustiças, apoiando comunidades vulneráveis e resistindo às ameaças contra a democracia. Seu trabalho incansável reflete o espírito da Constituição de 1988: uma defesa constante da dignidade e da liberdade de cada cidadão.

 

Mas se há uma data recente que ecoa os riscos à democracia, é o 8 de janeiro de 2023. Naquele dia, vimos grupos extremistas atacarem os Três Poderes em Brasília, tentando destruir as bases institucionais que sustentam nossa Constituição. O que parecia impensável desde a redemocratização aconteceu diante dos nossos olhos: um atentado contra as instituições, uma tentativa de golpe contra a vontade popular. A resposta firme da sociedade e das instituições mostrou que a democracia brasileira, embora frágil, ainda resiste. Mas o episódio também nos alertou que nenhuma conquista é definitiva, e que a vigilância cidadã precisa ser constante.

 

A Constituição de 1988, feita com tantas mãos e tantos sonhos, continua sendo nossa lamparina. Frágil, talvez. Pequena, diante das trevas que tentam voltar. Mas ainda assim, uma luz.

 

Neste, 31 de março, olho para essa chama e me pergunto: estamos caminhando e abrindo novos caminhos? Ou permitimos que o vento do passado sopre forte demais sobre essa lamparina? A resposta, como sempre, está em nossas mãos.

 

Por Cristivan Alves

 

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