Munduruku ocupam entrada da Blue Zone da COP30 e exigem revogação do Decreto 12.600/2025
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| Foto: Marco Apolo |
Na manhã desta sexta-feira (14), a entrada da Blue Zone da COP30, em Belém, foi marcada por um ato pacífico do Movimento de Resistência Munduruku Ipereg Ayũ. A mobilização denunciou violações de direitos territoriais e alertou delegações internacionais sobre os impactos de grandes empreendimentos na bacia do Tapajós.
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| Foto: Associação Wakoborun |
O principal alvo do protesto foi o Decreto 12.600/2025, que institui o Plano Nacional de Hidrovias, priorizando os rios Tapajós, Madeira e Tocantins para o escoamento de cargas. Segundo as lideranças, a medida abre caminho para dragagens, derrocamentos de pedrais sagrados e expansão de portos privados — ampliando a pressão sobre o território Munduruku.
“Esse decreto ameaça exterminar nosso modo de vida, porque transforma o rio em estrada de soja. Presidente Lula, o senhor precisa ouvir nosso povo antes de decidir sobre nosso futuro”, afirmaram lideranças durante o ato.
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| Foto: Marco Apolo |
Pautas da Ocupação
Durante a mobilização, o Movimento de Resistência Munduruku Ipereg Ayũ apresentou um conjunto de reivindicações consideradas urgentes para garantir a continuidade da vida em seus territórios. Entre elas:
Revogação imediata do Decreto 12.600/2025
Denúncia de violação de direitos territoriais e ameaça a locais sagrados, além da abertura de espaço para empreendimentos do agronegócio exportador.
Cancelamento da Ferrogrão
Vista como um eixo de intensificação de conflitos e desmatamento no território.
Proteção permanente do território Munduruku
Lideranças denunciam o retorno de garimpeiros e madeireiros e exigem presença contínua do Estado.
Rejeição a projetos de Crédito de Carbono e ao REDD+
“Nosso território não é laboratório, nem mercadoria.”
Demarcação das Terras Sawre Muybu e Sawre Ba’pin
Retirada da empresa Dakila Pesquisas da TI Kayabi
Respeito à Convenção 169 da OIT
Monitoramento indígena aponta novas invasões
O movimento apresentou dados produzidos por seu monitoramento territorial — tanto em campo quanto via imagens de satélite — indicando continuidade do garimpo e expansão de ramais madeireiros, mesmo após operações federais de retirada de invasores.
Após o ato, lideranças são recebidas por representantes da COP30 e ministérios
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| Foto: Marco Apolo |
Após a ocupação, representantes Munduruku foram atendidos pelo presidente da COP30, assim como pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e pela ex-ministra e deputada federal Sônia Guajajara.
Durante o encontro, as lideranças reforçaram suas denúncias, destacaram as ameaças ao território e entregaram suas reivindicações diretamente às autoridades presentes.
Segundo o movimento, a reunião foi importante para garantir que suas pautas não fossem ignoradas no espaço oficial da conferência, embora reforcem que seguirão mobilizados até que medidas concretas sejam tomadas.
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| Foto: Marco Apolo |
“Não há solução climática sem os povos da floresta”
“Esperamos que os líderes mundiais na COP30 considerem nossa existência e respeitem nossos direitos. Não há solução para a crise climática sem os povos da floresta.”
A ocupação ocorreu sem confrontos e reuniu indígenas, apoiadores e organizações socioambientais, chamando a atenção de representantes internacionais presentes na conferência.
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